Anne Umland: Johns se estabeleceu como um pintor do rotineiro, de objetos reconhecíveis, coisas que ele mencionou uma vez como “aquilo que a mente já conhece”, que incluíam mapas, números, letras do alfabeto, alvos e, neste caso, bandeiras.
Acredito que mesmo a certa distância, quando você observa a Flag, de Jasper Johns, fica claro que esta não é a típica bandeira norte–americana que vemos todos os dias.
Glenn Lowry: Anne Umland, curadora:
Anne Umland: Em primeiro lugar, como é possível ver quando observamos mais de perto, esta é uma bandeira construída e não costurada. Ela é sólida, certo? Ela é densa. É como um objeto. Ela tem esta superfície que é borrada, pintada e respingada com encáustica colorida, que é uma mistura de cera e pigmento.
É possível ver por meio dela.
Sob o pigmento, há uma colagem de tiras de jornais. E quando você realmente começa a observar essas tiras, é possível notar que contêm datas que podem ser reconhecidas, que permitem que a gente localize esta pintura, esta bandeira, este símbolo eterno da nação em um contexto muito particular, os anos 1950 na América, que são exatamente o meio da era McCarthy e o começo da Guerra Fria, quando símbolos como a bandeira tinham uma utilidade muito particular e poderosa.
“O uso da bandeira,” disse Johns, “deu a ele um enorme grau de liberdade,” pois ele não teve de desenhá–la. Ela era um símbolo que dava a ele espaço para trabalhar em vários níveis e, especificamente, na criação da pintura.