Luis Perez-Orama: Em 1968, Lygia Clark produziu um objeto sensorial que chamou de Óculos – Eyes.
Narrador: Óculos consiste de máscaras oculares que podem ser usadas e experimentadas por uma pessoa sozinha ou duas pessoas de frente uma para a outra.
Luis Perez-Orama: Esses objetos são importantes no sentido que eles trazem a questão de uma visão única que eventualmente se parte ou se multiplica. Mas nesse caso, a multiplicidade, e a fratura, acontecem na lacuna entre duas pessoas olhando uma para a outra.
É como se Lygia precisasse de algum ponto para direcionar a visão em si – não apenas o ato físico de olhar para alguma coisa, mas também o fato de que não há uma única visão, mas sempre uma visão múltipla.
Narrador: Se voce tiver a chance de testar essas máscaras oculares, descobrirá que suas "lentes" são reversíveis e que um lado é espelhado. Isso é um comentário sobre a auto-reflexão implícita na interacao com eles. Você também descobrirá que elas são extremamente pesadas, lembrando-nos de que olhar e refletir não é sempre fácil ou confortável.